7. ECONOMIA E NEGCIOS 27.3.13

1. AINDA NO CHEGOU L
2. SEU BOLSO - CHEGOU A HORA DE ABRIR A PRPRIA EMPRESA

1. AINDA NO CHEGOU L
Medidas populares anunciadas pelo governo, como a desonerao da cesta bsica e a reduo da tarifa de energia eltrica, demoram a beneficiar os consumidores e desconto no  integral. Entenda por qu
Mariana Queiroz Barboza

J  uma tradio no Brasil. Toda vez que o governo vem a pblico anunciar medidas populares, que reduzem os custos de produo, facilitam o acesso ao crdito e ampliam o poder de compra dos consumidores, os benefcios demoram a chegar  ponta. Quando finalmente as benesses so repassadas  populao, os percentuais no conferem com aqueles prometidos com pompa e circunstncia em rede nacional de tev. A histria se repetiu com os pacotes de bondades anunciados pela presidenta Dilma Rousseff. Primeiro, a reduo dos juros no foi percebida em sua totalidade. Mesmo o Banco Central tendo cortado a taxa bsica (Selic) em 5,25 pontos percentuais nos ltimos dois anos, os bancos foram extremamente cautelosos em repassar os cortes s taxas cobradas das empresas e das pessoas fsicas. Antes, a prpria presidenta teve que comprar uma briga pblica contra os spreads (diferena entre o que o banco paga e cobra pelo dinheiro) e forar a queda real dos juros por meio dos bancos pblicos para que, meses depois, o benefcio chegasse a todas as linhas de crdito.

Como o principal pilar do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) tem sido o consumo das famlias  que avanou 3,1% no ano passado , a queda dos preos da cesta bsica, anunciada em 8 de maro, tambm tem sido acompanhada pelo governo. Aps dizer que retiraria a cobrana de impostos federais (PIS/Cofins) de oito produtos da cesta bsica, Dilma afirmou: Conto com os empresrios para que isso signifique uma reduo de pelo menos 9,25% no preo das carnes, do caf, da manteiga, do leo de cozinha e de 12,5% na pasta de dentes e nos sabonetes, s para citar alguns exemplos. A reduo efetiva, contudo, no deve passar de 4,5%, segundo o Departamento Intersindical de Estatstica e Estudos Socioeconmicos (Dieese). At agora a baixa de preo nas prateleiras no chegou sequer a 3%. Na semana passada, a Fundao Instituto de Pesquisas Econmicas (Fipe) mostrou que, no municpio de So Paulo, os preos dos produtos desonerados recuaram 2,79% (o equivalente a R$ 2,48) entre a primeira e a segunda semana de maro. Mas por que a discrepncia? O governo fez uma promessa sobre algo que no controla, diz Heron do Carmo, professor de economia da Faculdade de Economia e Administrao da Universidade de So Paulo. Os preos desses produtos so influenciados no s pelos tributos diretos, mas por outras etapas de produo, pela negociao entre supermercados e fornecedores e pela relao entre oferta e procura, entre outros fatores. 
 
Segundo o economista da USP, cervejas e cigarros, que podem ter preos sugeridos pelos fabricantes, so exemplos de produtos industrializados nos quais o impacto direto da desonerao poderia ser mensurado de forma mais precisa. Na avaliao do Dieese, a renncia fiscal no caso da cesta bsica, que custar ao governo R$ 5,5 bilhes neste ano,  mais uma medida da chamada reforma tributria fatiada. Um dos principais problemas dessa reforma  o fato de ela no permitir uma viso de conjunto sobre suas repercusses, disse em nota. O vice-presidente da Associao Paulista de Supermercados (Apas), Ronaldo dos Santos, afirma que a entidade tem orientado os associados a negociar com os fornecedores para fazer o repasse chegar aos clientes. Em outros casos, a deciso sobre o desconto est diretamente nas mos dos varejistas. A carne bovina, por exemplo, j estava desonerada na cadeia de produo, com exceo do varejo, mas, devido a crditos tributrios, a alquota paga no era de 9,25%, mas de 3,75% a 6%, diz ele. Em outras palavras, considerando apenas a iseno fiscal, o desconto mximo no preo da carne ser de 6%. Para o caf, a expectativa no passa de 4%.

DECEPO - Reduo de 9% no preo dos produtos da cesta bsica, anunciada pelo governo, ainda no chegou s prateleiras
 
A teoria econmica, que trata do comportamento dos agentes, mostra que, se o custo de produo for reduzido, isso ter um efeito positivo no valor final. A prtica demonstra que esse clculo no  to simples. Os economistas de mercado tm outra explicao para o fato de o repasse aos consumidores no corresponder aos valores anunciados oficialmente: a ampliao das margens de lucro. Para o Departamento de Pesquisas e Estudos Econmicos do Bradesco, embora o setor de supermercados tenha bastante concorrncia, haver alguma recomposio de margem por parte do varejo. O precedente foi aberto no ano passado, quando cerca de 16% do corte do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automveis e 60% do benefcio para a linha branca (eletrodomsticos) foram apropriados pelos empresrios e no subtrados dos valores finais. Com a prorrogao da iseno do IPI, o IBGE notou que os preos de alguns automveis novos at aumentaram devido  maior procura dos consumidores, que foram atrados pela propaganda do desconto. Foi nesse momento que as concessionrias aproveitaram para expandir ainda mais sua margem de lucro. Ou seja, no basta a vontade poltica do governo.  preciso fiscalizao e acompanhamento para que espertezas no surjam pelo caminho. Em um cenrio de baixo crescimento e inflao persistentemente prxima ao teto da meta (6,3% nos ltimos 12 meses), a prtica preocupa. A expectativa sobre a desonerao da cesta bsica  que baixe a inflao em at 0,6 ponto percentual.
 
De olho no controle da inflao, o governo tem lanado mo de todas as cartas para impedir o incio de um ciclo de juros mais altos pelo Banco Central. Anunciada em setembro do ano passado, a reduo na conta de luz foi a medida mais popular tomada nesse sentido. Em 23 de janeiro, a presidenta voltou  tev e ao rdio para dizer que, a partir do dia seguinte, as tarifas da energia eltrica cairiam, ao menos, 18% para as residncias e at 32% para a indstria. At a semana passada, porm, muitos brasileiros ainda no tinham visto a conta mais barata. De acordo com a Federao das Indstrias do Estado de So Paulo (Fiesp), que coordenou uma campanha pelo barateamento da eletricidade, isso ocorre porque, nas cobranas recebidas em fevereiro, h medies feitas em datas anteriores  aplicao do percentual de reduo. Alm disso, a Fiesp esclarece que, em alguns lugares, a conta pode subir por causa dos reajustes anuais de cada distribuidora, que incluem a correo com base nos ndices de inflao e a variao dos custos com a compra de energia das concessionrias.

Pensando em agradar aos consumidores de baixa renda, o governo agora estuda desonerar o diesel e o setor de transporte coletivo urbano. O estudo de viabilidade est em anlise final no Palcio do Planalto. A manuteno e at a diminuio, em alguns casos, da tarifa das passagens de nibus e metr ter impacto direto no bolso dos trabalhadores, no momento em que a Dilma v sua popularidade crescer para 79%. At agora, o governo abriu mo de mais de R$ 7,3 bilhes em impostos ao ano, mas, nas palavras da presidenta, os benefcios para as pessoas e a economia compensam esse corte na arrecadao. Ao anunciar a reduo da cesta bsica, Dilma afirmou: Voc, com a mesma renda que tem hoje, vai poder aumentar o consumo de alimentos e produtos de limpeza e, ainda, ter uma sobra de dinheiro para poupar ou aumentar o consumo de outros bens. Vontade poltica no falta, mas o resultado ainda no chegou l.


2. SEU BOLSO - CHEGOU A HORA DE ABRIR A PRPRIA EMPRESA
As condies para investir em um negcio prprio melhoraram no Brasil. Descubra por que quatro em cada dez brasileiros desejam empreender
 Fabola Perez

Abrir mo de um emprego formal para comear a montar a prpria empresa  uma realidade cada vez mais comum no Brasil. O desenvolvimento do mercado interno e a criao de uma legislao especfica propiciaram um ambiente favorvel para o empreendedorismo, afirma Luiz Barretto, presidente do Sebrae. O caminho para o sucesso, no entanto, no  to fcil. Quase 30% das empresas ainda no sobrevivem aos dois primeiros anos de vida. Um dos principais motivos para a mortalidade  a mistura entre contas pessoais e empresariais, alerta Barretto. Para ver o negcio prosperar, alguns cuidados so fundamentais.  recomendvel que o empresrio tenha recursos prprios sem precisar recorrer a emprstimos, afirma Jos Armando Falco, advogado especialista em direito imobilirio e comercial.

